Bancários, frentistas, trabalhadores do comércio, metalúrgicos, rodoviários e transportadores aéreos, segundo um estudo da Universidade de Brasília (UnB) e do INSS, estão entre as categorias que têm maior possibilidade de adquirir problemas mentais. O estudo mostra que esse problema vem aumentando nos últimos anos. No levantamento, 48,8% dos trabalhadores que se afastam por mais de 15 de dias do serviço sofrem algum tipo de doença mental.
Anadergh Barbosa Branco, coordenadora do Laboratório de Saúde do Trabalhador da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, afirma que a depressão é o problema que mais afeta os trabalhadores. O Jornal Sindinotícias entrevistou Genivaldo Moreira Lopes, diretor da Secretaria de Saúde e Segurança do Trabalho do Sindicato dos Empregados no Comércio do Estado do Espírito Santo (Sindicomerciários/ES).
Segundo Genivaldo, hoje no comércio esse tipo de problema é muito comum e isso se deve geralmente às pressões que o trabalhador sofre. “Hoje a gente tem o problema de trabalhar aos domingos. Com essa possibilidade, o trabalhador fica tenso e nervoso, pensando se ele vai ser escalado ou não para o trabalho no domingo. Tem a pressão exercida pela chefia na questão de cumprimento de metas, além de assaltos, porque muitos trabalhadores depois de terem seus locais de trabalho assaltados ficam com síndrome do pânico e não conseguem nem passar perto do local”.
Os bancários e os trabalhadores no comércio são os profissionais que mais sofrem diariamente com assaltos. Genivaldo pontuou que “a empresa deveria comunicar à Previdência, principalmente questão como assalto, questões que deixam os trabalhadores propensos a desenvolver esse tipo de doença psicológica. Essa doença é considerada doença do futuro e não é fácil encontrar a causa. Problema psicológico a Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) não reconhece porque teria que haver uma prova muito concreta ou um depoimento, e muitas vezes o colega de trabalho tem medo de falar pelo risco de perder o emprego”.
Segundo levantamento, mais de 99% dos benefícios concedidos pelo INSS para trabalhadores com transtornos mentais foram considerados problemas pessoais dos trabalhadores, não relacionados com a profissão. A pesquisa também aponta que a doença mental nunca vem sozinha. O alcoolismo é a conseqüência mais comum que surge da depressão, do medo e do isolamento da família e dos amigos.
Genivaldo ressaltou que além de ser um problema muito sério, ele está atingindo uma quantidade muito grande de jovens. “Hoje temos um número muito grande de trabalhadores muito jovens que já apresentam problemas psicológicos. Isso porque o mercado de trabalho está exigindo funcionários mais jovens, o que os deixa muito expostos a esse tipo de doença ligada ao trabalho”. Segundo Genivaldo, além dos jovens, as mulheres também fazem parte da maioria que sofre com esse tipo de doença psicológica. “As mulheres são mais frágeis e por isso acabam sofrendo mais assédio moral, agressão no caso de um assalto e outras coisas mais”.
Entre as principais dificuldades para prevenir as doenças mentais do trabalho estão os diagnósticos imprecisos dos médicos, tratamento deficitário e a dificuldade do próprio trabalhador em aceitar a doença.
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