“A incorporação do Banestes pelo BB gera uma cadeia de problemas sociais, dentre eles o desemprego no meio urbano e rural. Significa mais gente deixando o campo e vindo para as periferias das cidades, inclusive”.
O diretor de Política Agrária e Meio Ambiente da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Paulo Caralo, afirmou, no último dia 20, que a venda do Banestes para o Banco do Brasil, além de gerar o desemprego dos trabalhadores diretos do banco, também trará problemas para os agricultores do interior do Estado.
“O primeiro impacto sentido pela incorporação é a demissão de muitos empregados do banco, porém, os prejuízos dessa transação não atingem somente o meio urbano. Afeta diretamente a diminuição de crédito para a agricultura familiar e, consequentemente, a diminuição da produção de alimentos no Estado”, afirma o diretor. De acordo com Paulo Caralo, é a agricultura familiar que produz alimento para sustentar o povo do campo e da cidade, e o Banestes tem uma forte inserção no meio rural, tornando-se fundamental no processo de financiamento desta agricultura. “No ES foi criado o Pronaf Capixaba (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar) que é feito com recursos disponibilizados pelo Governo do Estado via Banestes. Caso o banco estadual deixe de operar no interior, milhares de agricultores terão dificuldades de acesso ao crédito, o que prejudicará a produção e também causará desemprego no campo”, analisa Paulo.
Segundo a matéria publicada na página do Banestes, em janeiro deste ano, os recursos aplicados pelo banco no campo em 2008 atingiram o montante de R$ 208,3 milhões, um crescimento que superou em 64% o investimento realizado em 2007, que foi de R$ 127,2 milhões. No que se refere ao número de produtores rurais beneficiados, o crescimento foi de 35%. Em 2008 foram contemplados 8.891 agricultores, contra os 6.582 no ano de 2007.
Para a Confederação, os processos de incorporação de empresas são sempre prejudiciais para os trabalhadores. Contudo, a situação do Banestes é ainda pior, uma vez que está sendo proposta num momento de crise mundial. “Estamos vivendo um momento em que precisamos de toda ação dos governos federal, estaduais e municipais para geração de empregos. Então, a incorporação do Banestes pelo BB vem na contramão, porque no processo de ajuste o primeiro passo é a demissão de trabalhadores”, denuncia Paulo.
Acrescenta, “somos contra a venda de instituições como o Banestes que são patrimônio do Estado, que promovem o desenvolvimento regional e local, e que têm um compromisso com toda a sociedade capixaba”. Fonte: Sindibancários
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